A memória começa a encavalitar-se. Entre o Museu do Oriente e o concerto que aqui relato houve apenas um showcase na FNAC em Leiria no dia 30 de Maio, no entanto escrevo estas linhas no Verão. e quase 20 dias se passaram. Alguns dias de descanso e planeamento surgiram, antes deste concerto, até porque também havia ensaios e promoção para os dois grandes concertos oficiais de apresentação do disco, entretanto já em primeiro lugar do Top.
Como os ensaios da digressão tiveram lugar no Teatro Virginia em Torres Novas entre 12 e 14 de Abril, o concerto ia saber a uma revisão da matéria dada e um testar de pormenores para os concertos da Casa da Música e CCB, embora sem convidados em palco. Tudo correu bem, a sala estava uma vez mais esgotada e o clube de fans ocupava as primeiras filas. Descobri que um dos técnicos da sala é natural de Coimbra.
No final do concerto uma parte da comitiva regressava a Lisboa e os restantes ficavam para subir ao Porto no dia seguinte e aproveitar que Serralves estava em Festa e era da grossa. Por volta das 2 da manhã o resto da comitiva chegou de Lisboa e foi toda a gente descansar para o grande dia no Porto.
A Casa da Música
A Casa da Música (CdM) é um lugar único no Universo. Pelas mais variadas razões apenas naquele sítio acontecem coisas que não ousam manifestar-se em mais nenhum local. Desta vez a coisa não começou bem mas recuperou-se eficazmente. Um erro informático alterou os horários dos técnicos da casa e das 10h00 às 13h00 pouco se pode adiantar. Ainda assim durante as primeiras horas da tarde o palco ficou pronto e os ensaios correram bem. No camarim Mafamude distribuíam-se centenas de convites em centenas de envelopes, preparava-se catering para 25 pessoas, ultimavam-se os últimos detalhes, limavam-se arestas para o dia seguinte em Lisboa. O concerto passou em directo na Antena 3 por isso uma pequena equipa da rádio montou o seu pequeno estúdio por detrás do palco.
A esta distância tudo passou muito depressa. O concerto começou quase a horas pois a multidão que esgotava os lugares da Sala Suggia demorou um bocado a se sentar. Os músicos convidados entraram a tempo e só não saíram porque o hábito de se sentarem após as palmas confundiu os roadies que iam buscar o estrado com rodas. O público aplaudiu de pé e fizeram-se os dois encores. A sessão de autógrafos iria ser longa dada a excitação do público.
Após estas coisas todas a equipa dividiu-se de novo e produtores e técnicos seguiram directamente para Lisboa, sem passar pela casa da partida nem recolher os 2.000 escudos. Todo o caminho se ouviu a M80, a tal rádio que passa o pior dos anos 70, 80 e 90 e já agora também podia dar notícias dessa altura. Aposto que ninguém se lembra de dormir essa noite, pois às 9h30 já estávamos à porta do cais de descarga do CCB.

