terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sófia, Bulgária 11 de Junho

Fomos para Sófia de véspera por várias razões. A primeira tem a ver com a nossa preferência em voar aos feriados e dias santos, a segunda porque não há voos directos, a terceira porque se demora meio dia a lá chegar e a quarta tem a ver com as duas horas mais tarde que nos esperam após aterrar.
Chegámos ao aeroporto ao meio dia e meio e partimos às 14 e 30. Aterrámos em Munique com tempo apenas para beber uma Airbraü na cervejaria do aeroporto de Munique, fumar um cigarro e partir para Sófia. Da janela do avião consegui ver a Ístria entre as luzes de Trieste e Rieka e as ilhas Dálmatas que tanto me fizeram bem.

Chegámos depois das onze da noite locais, seguimos para o Hotel Matropolitan bastante próximo do aeroporto onde ceámos da gastronomia local e fomos dormir. Poucas horas depois um directo para o telejornal da manhã punha a malta de pé às oito, portanto seis em Portugal. Como o meu telefone me pregou uma partida fui o último a descer e tive um croissant de pequeno almoço graças à solidariedade do meu amigo compositor.
Acompanhados pela tradutora Valentina (uma das raras pessoas Búlgaras que fala Português) e pela produtora Katia, seguimos para os estúdio da Televisão Búlgara a toda a velocidade em dois Opel novíssimos e potentes. Lembrei-me de Zagreb e de Budapeste e das suas avenidas largas e praças arejadas. 

Os estúdios ostentavam modestamente alguma história quase toda representada como adereços no restaurante da Televisão. Entre motas antigas a garrafas de vinho com ar centenário, juntava-se um cenário para um filme do Indiana Jones naquele restaurante.
O estúdio onde se filmava o noticiário era moderno e partilhava o espaço, apenas dividido por uma longa parede de pladur, com o cenário de uma sala de estar de uma telenovela. Na porta larga de entrada um cartaz pedia para não se fumar, filmar,  falar ao telefone, comer gelados ou usar armas. Nos corredores cruzei-me com um par de maquilhadoras que não tinham tão mau ar como o cartaz.

No regresso ao hotel fomos visitar a catedral do Patriarcado Búlgaro e passeámos por um mercado de rua cheio de antiguidades e segundo nos contaram famosas falsificações. Estranhámos a quantidade de objectos nazis. Antes de entrar para os carros tiraram-se várias fotografias de novo em frente à Catedral e seguimos para o Hotel quase na hora de almoço.

Depois da refeição seguimos para a Bulgaria Hall onde o concerto ia ter lugar pelas 19h30. É uma sala com balcão para cerca de 800 pessoas construída ao estilo soviético onde ainda se podem encontrar dezenas de caixas de contrabaixo debaixo do vão de escadas. Atrás do cortina do palco havia uma bancada para a orquestra. O concerto ia ser gravado para passar quase na íntegra na televisão em Setembro. A equipa da televisão quase não contactou connosco, apenas colocou as suas câmaras em gruas e tripés e coordenou tudo através de um carro de exteriores. A única questão em conflito passava pela iluminação (ou a falta dela) necessária para as filmagens. Uma luz branca desconfortável acompanhou quase todo o concerto. Acho que conseguimos um meio termo vantajoso para ambas as partes. O público aplaudiu imenso, pediu encores de pé e comprou todos os 50 CD’s que levámos para vender. Todos não, porque um foi oferecido à tradutora Valentina e ao seu irmão cantor Mexicano.

Após o concerto fomos jantar com o representante da embaixada portuguesa a um restaurante muito bom. A comida e o vinho eram excelentes. Seguimos então para o Hotel onde dormimos apenas um bocadito pois a saída do Hotel era às 6 da manhã. Felizmente o Metropolitan é perto do avião e chegámos depressa às partidas do Aeroporto de Sófia.

Como os voos do regresso tinham sido comprados pelo promotor búlgaro, tivemos um contratempo em Madrid quando eles trocaram o nome do técnico de luz obrigando-nos a comprar no momento outro bilhete.
Chegámos inteiros a Lisboa, era véspera de Santo António e pouco depois de pousar as malas segui para a Rua da Esperança na Madragoa para assar sardinhas até cair para o lado.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O Centro Cultural de Belém e os Novos Reis Magos.

O Centro Cultural de Belém começou a ser construído em 1988 com o objectivo de abrir em 1992 como sede da Presidência Portuguesa da União Europeia. Desde a sua construção que é o maior complexo cultural existente em Portugal.

Produzir um concerto no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém produz alguma adrenalina e é normal que tal aconteça, afinal de contas o CCB não é mais que a jóia da coroa da cultura em Portugal. Se não correr bem lá onde irá correr? Todo o edifício está preparado para as maiores complexidades técnicas e há um acompanhamento profissional pelos produtores e técnicos da casa em que se sente que cada pormenor é importante.

Na manhã do concerto chegámos à hora certa e começámos a descarregar cenário e instrumentos de forma a que qualquer deslize tivesse tempo para ser corrigido. Durante a manhã o palco ficou completamente montado faltando apenas os instrumentos que vinham com o músicos depois do almoço e algumas afinações nas luzes. Tivemos tempo para ir a pé almoçar num dos japoneses dominado por chineses na Rua da Junqueira. Depois do repasto, parte da acção que se passava nos camarins grandes era em torno do catering para a comitiva alargada e na distribuição pormenorizada de quase 400 convites. A sala estava praticamente esgotada e os convites são uma espécie de protocolo presidencial que para ser devidamente executado, cada lugar deve ser pensado e gerido como algo importante na geoestratégia e na manutenção da paz mundial. Entretanto com o resto da comitiva já no local começou-se o teste de som com os músicos que durou menos tempo que no dia anterior. Houve ainda tempo para uma conferência de imprensa motivada pela entrega de um prémio internacional pouco antes de se ultimarem os últimos retoques. Como é costume, tudo começou praticamente a horas, o auditório estava esgotado, e a única novidade foi a representação governamental no camarim de honra cuja presença apenas fora confirmada na véspera.
Um único percalço aconteceu em palco. Um lapso no alinhamento trocou as voltas à entrada dos convidados, no entanto o acidente acabou por fazer o processo correr melhor que no dia anterior, pois como o estrado com rodas entrou antes do tempo, os convidados mal foram chamados a palco puderam subir e ligar os instrumentos. O concerto propriamente dito foi mais enérgico do que o do dia anterior e tal facto contagiou fortemente o público e resultou num mar de gente em pé a pedir encores atrás de encores.
Depois do concerto havia um beberete para cerca de 80 pessoas combinado no bar dos artistas. A segurança apesar de rígida e eficiente foi compreensiva e deixou que entrassem não só os convidados como alguns admiradores.
Uma vez mais foi um enorme prazer sair do Centro Cultural de Belém com a sensação de trabalho bem feito. Cinco minutos depois abria a porta de minha casa.

terça-feira, 22 de junho de 2010

5 e 6 de Junho, Teatro Virginia em Torres Novas e Casa da Música no Porto

A memória começa a encavalitar-se. Entre o Museu do Oriente e o concerto que aqui relato houve apenas um showcase na FNAC em Leiria no dia 30 de Maio, no entanto escrevo estas linhas no Verão. e quase 20 dias se passaram. Alguns dias de descanso e planeamento surgiram, antes deste concerto, até porque também havia ensaios e promoção para os dois grandes concertos oficiais de apresentação do disco, entretanto já em primeiro lugar do Top.
Como os ensaios da digressão tiveram lugar no Teatro Virginia em Torres Novas entre 12 e 14 de Abril, o concerto ia saber a uma revisão da matéria dada e um testar de pormenores para os concertos da Casa da Música e CCB, embora sem convidados em palco. Tudo correu bem, a sala estava uma vez mais esgotada e o clube de fans ocupava as primeiras filas. Descobri que um dos técnicos da sala é natural de Coimbra. 
No final do concerto uma parte da comitiva regressava a Lisboa e os restantes ficavam para subir ao Porto no dia seguinte e aproveitar que Serralves estava em Festa e era da grossa. Por volta das 2 da manhã o resto da comitiva chegou de Lisboa e foi toda a gente descansar para o grande dia no Porto. 

A Casa da Música

A Casa da Música (CdM) é um lugar único no Universo. Pelas mais variadas razões apenas naquele sítio acontecem coisas que não ousam manifestar-se em mais nenhum local. Desta vez a coisa não começou bem mas recuperou-se eficazmente. Um erro informático alterou os horários dos técnicos da casa e das 10h00 às 13h00 pouco se pode adiantar. Ainda assim durante as primeiras horas da tarde o palco ficou pronto e os ensaios correram bem. No camarim Mafamude distribuíam-se centenas de convites em centenas de envelopes, preparava-se catering para 25 pessoas, ultimavam-se os últimos detalhes, limavam-se arestas para o dia seguinte em Lisboa. O concerto passou em directo na Antena 3 por isso uma pequena equipa da rádio montou o seu pequeno estúdio por detrás do palco.

A esta distância tudo passou muito depressa. O concerto começou quase a horas pois a multidão que esgotava os lugares da Sala Suggia demorou um bocado a se sentar. Os músicos convidados entraram a tempo e só não saíram porque o hábito de se sentarem após as palmas confundiu os roadies que iam buscar o estrado com rodas. O público aplaudiu de pé e fizeram-se os dois encores. A sessão de autógrafos iria ser longa dada a excitação do público.

Após estas coisas todas a equipa dividiu-se de novo e produtores e técnicos seguiram directamente para Lisboa, sem passar pela casa da partida nem recolher os 2.000 escudos. Todo o caminho se ouviu a M80, a tal rádio que passa o pior dos anos 70, 80 e 90 e já agora também podia dar notícias dessa altura. Aposto que ninguém se lembra de dormir essa noite, pois às 9h30 já estávamos à porta do cais de descarga do CCB.

terça-feira, 15 de junho de 2010

De Rabat ao Oriente


Escrevo as primeiras linhas deste texto sobre o azul do Oceano Atlântico, apenas salpicado por  cachos de nuvens brancas.

A viagem para Rabat começou na terça dia 25 à hora do almoço. A comitiva ia alargada devido à equipa da RTP e ao documentário. O check-in demorou um pouco mais do que o esperado e praticamente eliminou todo o tempo de espera até ao embarque.

A bordo de um avião a hélices levantámos rumo ao sul, preparados para cerca de duas horas até Casablanca. Por qualquer razão, quando chegámos às malas, já o tapete estava vazio e apenas as nossas coisas restavam abandonadas. Os carros das malas estavam quase todos estragados, entre rodas encravadas e outras quadradas, não facilitaram o transporte da carga até às carrinhas. Para mais fomos obrigados a esperar porque a alfândega tinha escolhido como cepo de marradas o cameramen da RTP que nos acompanhava. Começaram por pedir a autorização para filmagens mas segundo ele próprio, o que todos estavam à espera era de umas notas de Euro. Com alguns telefonemas o Festival desbloquearam a coisa seguimos para norte em direcção a Rabat divididos em duas carrinhas. Na auto-estrada as carrinhas não podem andar a mais de 80Km/h e demorámos quase duas horas a chegar ao Hotel em Rabat e ir jantar. Salada de atum e tajine de borrego acompanhou a cerveja marroquina. Combinaram-se as coisas para o dia seguinte, falou-se de algumas questões críticas relativas à digressão americana e foi tudo dormir.

A hora de saída do hotel eram as 10 e meia e pouco depois já estávamos a caminho nas ruas atarefadas da capital. Fomos directamente para o teatro Mohamed V. Chegados lá vimos subir os instrumentos e afins por um rudimentar elevador que atingia os 5 metros de altura e dava acesso à parte de trás do palco. Demos a volta por fora e após vários controles de segurança e uns lances de escadas entrámos num comprido corredor repleto de fotografias que finalizava na parte de trás do enorme palco. O primeiro problema que surgiu foi no acesso da equipa da RTP ao Teatro. Apesar dos pedidos de autorização a burocracia atrasou o processo e só após o director do teatro permitir a equipa de reportagem ela pode entrar e filmar. As montagens entretanto iniciaram-se com a ajuda de muitos locais e por volta da uma da tarde era tempo de ir almoçar. Ali, o produtor encarregado de nos acompanhar tinha levado os músicos até ao Souk, a tradicional zona comercial da cidade. Fomos lá ter com eles e aproveitei para procurar por uma lamparina com génio. Estão esgotadas desde o tempo do Ali Baba, agora já só se encontram réplicas de má qualidade. De lá seguimos para o Hotel para almoçar, já sem nenhum dos técnicos que acabaram por ficar e voltar para o Teatro para trabalharem na preparação do som e da luz. Após o almoço regressámos ao Teatro para se fazerem os testes de som e luz. Apenas se abandonou o auditório para uma entrevista num hotel perto onde os locutores bebiam vinho na esplanada junto à piscina enquanto entrevistavam alguns dos artistas que participavam no Festival.

A sala tinha cerca de 1500 lugares o que intimida um pouco uma primeira vez num país, no entanto tudo correu bem e o público presente gostou bastante e aplaudiu de pé. Apenas duas coisas estranhas aconteceram. A primeira foi ainda antes do início do concerto quando um senhor de fato, gravata e mala de couro preta me diz que me quer pagar. Imaginei imediatamente um cenário do filme Casablanca que tenha sido cortada da edição final. Um agente do governo com uma mala cheia de notas e possivelmente uma arma na cintura, avisa que me vai pagar o cachet e que precisa de uma factura, recibo e fotocópia do meu passaporte. Eu respondo-lhe que já recebemos o cachet do nosso agente em França. O meu Francês é tão mau como o seu Inglês e metade perde-se na tradução. Entretanto ele agita a pasta no meu sentido e insiste na factura e  na cópia do passaporte, eu digo-lhe que vou ligar ao agente francês com quem ele quer falar mas ele não atende o telefone e apenas lhe consigo deixar uma mensagem em que digo: “Está aqui um tipo de fato com uma pasta cheia de dinheiro para te dar. Liga para o número xyz e combina com ele”. Como enquanto isto acontecia o concerto estava prestes a começar consegui-me escapulir fugindo para a zona de acesso ao palco, um território onde os senhores de fato não ousam entrar porque normalmente se desintegram em fumo verde.
A segunda coisa coisa estranha foi  a ausência de desejo de encore. Talvez o público seja tão bem educado que não pede mais do que lhe dão. A parte chata desta estranha obediência foi que não cheguei a tempo da venda de CD’s, pois aproveito sempre esse tempo do encore para montar a banca e organizar os trocos. Só consegui vender dois. Houve também um ramo de flores que ficou por ser entregue em palco o que quase se aproximou de um erro de protocolo. Felizmente o exército não reagiu violentamente.

Após o concerto no regresso ao Hotel cruzei-me de novo com o senhor de fato que tinha finalmente conseguido falar e pagar ao agente francês. Cumprimentou-me a deu para ver que estava feliz pelo trabalho bem feito. Mais ou menos nessa altura o motorista da carrinha que nos seguia com os instrumentos, passa-me uma mala com equipamento para as mãos, olha-me nos olhos e com um grande sorriso aponta os polegares para ao céu enquanto diz: “Cristiano Rolando”. Os marroquinos são provavelmente o povo mais simpático do mundo.

No dia seguinte saímos para Casablanca depois do pequeno-almoço. A auto-estrada não permitia que as carrinhas seguissem a mais de 80Km/h e em câmara lenta revimos a pobreza que acompanha a serpente de asfalto.

Chegámos a Lisboa com uma hora de atraso, dividimos o grupo e enquanto uns foram buscar parte do cenário, os músicos seguiram directamente para o Museu do Oriente onde uma entrevista os esperava. Apesar da hora perdida conseguimos recuperar e além de uma pequena gralha no pedido de cervejas tudo correu sem sobressaltos, apenas de apontar que quando fui buscar o cheque e justifiquei que o recibo iria ser enviado por e-mail logo de seguida, a secretária do Sindicato do Magistrados do Ministério Público me responde: "é bom que enviem, ninguém quer problemas com o meu sindicato". Entretanto por mim passava a Jessica de Grazia.

Estranhamente acabo este texto quase três semanas após o ter começado...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Coimbra e as canções.

Felizmente sou a única pessoa que pode falar mal de Coimbra. Tendo este raro privilégio devo usufrui-lo o melhor que sei e posso. Pelo menos esforço-me. Coimbra tem imensas coisas boas. Por exemplo a Casa de Pasto Zé Neto onde fomos almoçar, onde se come o melhor arroz de legumes do mundo, onde tudo sabe tão bem que é uma frustração tentar imitar  aquelas receitas regionais. É uma cidade que como poucas consegue misturar bem a simplicidade do campo e a sofisticação da cidade letrada. Coimbra é também muito agradável à vista, a cidade encavalitada em si mesma, com um largo rio, as serras a Este e os longos campos de cereal e arroz que acabam no ocenao a menos de 40Km, enfim coisas que poucas cidades se podem gabar. Mas talvez o problema resida aqui, Coimbra pode-se gabar de uma série de coisas e quando dá por si já se perdeu em megalomanias e falsas grandezas , atitudes de mau tom que acabam por lhe destruir a boa reputação. 

A meu ver é inconcebível que a auto-denominada terceira cidade do país, ou a cidade do conhecimento, ou a lusa-atenas, tenha uma oferta cultural mais fraca que cidades muito menores e mais afastadas do eixo de desenvolvimento do litoral. É inadmissível que uma cidade tenha sido capital da cultura em 2003 e não tenha herdado uma moderna sala de espectáculos permanente. É uma vergonha a forma como o Teatro Académico Gil Vicente (TAGV) é menosprezado tanto pela Universidade como pela Câmara Municipal, como se gastam fundos numa Casa Municipal da Cultura que serve apenas para exposições e conferências de pequeno formato. É triste que se tenha gasto dinheiro no museu do carro eléctrico para durante a capital da cultura se fazerem concertos e depois tudo se acabe esquecido. Neste momento fala-se na construção de um novo auditório em Santa Clara, aproveitando um convento que está em ruínas, no entanto todos sabem que não há dinheiro nem vontade política. Afinal se não há sensibilidade para reabilitar o teatro da cidade, como é possível haver energia e financiamento para fazer algo quase de raiz. 

Não deverei expor aqui os enormes problemas que assolam o Teatro Académico Gil Vicente (TAGV), mas não consigo deixar de louvar quem lá trabalha e aguenta as agruras de uma classe dirigente completamente alheia às necessidades de uma estrutura permanente. A verdade é que as omeletes vão aparecendo feitas e ninguém questiona de onde vieram os ovos. A paz podre implanta-se a o dia a dia vai acontecendo, forçado e sem prazer. 
Passando à narração do dia, ainda antes do almoço os nossos técnicos foram para o TAGV ajudar nas desmontagens do espectáculo anterior. O som e luz foram alugados externamente já que o equipamento que lá reside tem mais de 20 anos. 
Após o almoço no Zé Neto, situado na Rua das Azeiteiras, dividimos equipas, os músicos foram dar entrevistas, os produtores tratar do catering e das compras e os técnicos tratar do som e luz. Conseguimos ir jantar pelas 19h30, mesmo ao lado do teatro. A menos 100m no Jardim da Sereia ouvia-se o teste de som do concerto que ia ter lugar mais ou menos à mesma hora. Tal facto não impediu que o TAGV esgotasse.

O concerto correu mesmo bem, o público acabou de pé a dançar e no final a fila para os autógrafos ocupava quase todo o foyer do teatro. A venda de t-shirts bateu o recorde e acabaram-se com todos os CD's existentes. Após o concerto ainda houve quem fosse ver o concerto na Sereia, outros foram para o Hotel e eu pude ir dormir a casa, o tal sítio onde se consegue descansar.

Primeiro Leiria, depois a alergia...

A viagem de Vila Real para Leiria nem parece muito longa e de facto quase que não é. Descemos pela Beira Alta sempre de auto-estrada, depois entramos a medo na Beira Litoral pela temível IP3 e quando damos por nós estamos na A1 a 60Km de Leiria. 

O teatro José Lúcio da Silva tem boas condições e as pessoas que lá trabalham são de uma simpatia irrepreensível. As montagens durante a tarde correram sem alaridos nem surpresas. Pelas 19h30 fomos jantar perto do teatro, num restaurante buffet muito discreto, bom e barato. Findo o jantar regressámos ao teatro e poucos minutos depois das 21h30 o concerto começou. A sala estava quase esgotada, menos de 10 bilhetes ficaram por vender apenas porque estavam separados e alguns deles ficavam em locais de menor visibilidade e conforto. O público entrou rapidamente na festa e no final umas boas dezenas de pessoas esperavam o grupo para os autógrafos. 

Depois das desmontagens seguimos directamente para Coimbra, permitindo-nos assim acordar na cidade do concerto seguinte. O hotel, praticamente a estrear, conseguiu mandar 3 pessoas para quartos que ainda não estavam limpos. No meu caso enganaram-se no número do quarto, puseram-me numa suite enorme, mas tive que descer à recepção para que a chave magnética me permitisse a entrada.

Devido ao café que tomei ao jantar estive demasiado tempo até conseguir adormecer. Fiz também a asneira de abrir as janelas do quarto e face à proximidade com o Choupal, o pólen assassino atacou-me a sinusite e a coisa complicou-se um bocado. A mãe natureza gosta de pregar partidas.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Vila Real de Trás-os-Montes é um bom título só por si.

Aviso à população: A autoestrada A4 tem um troço quase intransitável. Esse troço de algumas dezenas de quilómetros está limitado a uma faixa de rodagem, vedada no meio e como tal não permitindo ultrapassagens, muito pior que uma estrada nacional. Ao longe vêem-se pilares gigantes, daqueles que só se vêem em países ricos, dos que normalmente saem de enormes túneis e conduzem as pessoas das montanhas ao mar. Para quando dar utilidade aos pilares? Não se sabe.

Toda a A4 é uma anedota, uma fábrica de acidentes e uma dor de cabeça para os camiões e não só. São subidas e descidas ao sabor dos declives da montanha numa zona conhecida por Serra do Marão e depois por Douro Vinhateiro. Há uns pequenos túneis que só existem para aparecerem nas estatísticas e o resto são inclinações de 7% e curvas apertadas. Depois de horas atrás de uma camioneta cheia de qualquer coisa pesada, pesquisei no site da Brisa por A4 e encontrei estas belas mensagens:
  • A4, Manutenção na via, km 58.1, sentido Porto-Amarante.
  • A4, Manutenção na via, km 22.3, sentido Porto-Amarante, com fim previsto para as 06:00h.
  • A4, Manutenção na via, km 22.0, sentido Amarante-Porto, com fim previsto para as 06:00h. 

Estes tipos têm mesmo graça. Nem sei se não deva enviar uma carta de agradecimento. Enfim, chegámos lá a horas de ir a um bom restaurante, recomendado por um amigo de SM. Este sim, merece ser mencionado, chama-se Terra de Montanha e mora na rua 31 de Janeiro, mesmo no centro de Vila Real. Os convivas podem escolher entre comer dentro de tonéis de carvalho inteiros ou parciais. Uma boa ideia embora gente mais anafada se possa sentir apertada. A comida estava deliciosa e o menu vegetariano surpreendeu pela positiva. Eu não me queixei nada da vitela e vi um naco com muito bom aspecto. Quando lá voltar já não preciso de olhar para o menu.

Acabado o almoço seguimos para o teatro onde começámos quase de imediato as montagens. O auditório além de muito bonito tem a vantagem de ter duas frentes, uma interior e uma outra exterior, programada de Junho a Setembro. Setecentos lugares, uma boa teia de luz e um sistema de som com qualidade demonstram que ali está uma obra bem feita e com um impacto muito positivo na população.

Tudo correu bem no teste de som e sendo o concerto às 22h00 fomos jantar a um antigo solar convertido em Estalagem. Não quero que este diário pareça o guia Michelin, mas comi um dos melhores bacalhaus da minha vida. o nome é Estalagem Quinta do Paço em Arroios, logo depois da Quinta de Mateus. Na verdade era apenas um bacalhau com natas muito bem feito e completamente coberto com uma grossa camada de queijo bem salgado e derretido. O sonho do colesterol.

Cheios de pressa regressámos ao Teatro e tudo se preparou para o abrir da cortina. Mais um concerto esgotado (há alturas em que é bom ser repetitivo) e um público completamente conquistado. A cadeira voltou a fazer o percurso à velocidade certa e na direcção pretendida.

Após as desmontagens e autógrafos, um pouco mais rápidos graças a ser quarta-feira e as pessoas irem trabalhar no dia seguinte, seguimos para o Hotel Miracorgo, um hotel com uma vista impressionante sobre o desfiladeiro do rio Corgo mas um mau gosto musical impressionante. A música além de muito alta é composta por versões midi de temas impossíveis de aturar. Já nem a Rádio Renascença tem coragem de repetir Celine Dion quanto mais em versão panpipe midi. O pequeno almoço é sempre apressado graças a este factor. Para a próxima vez peço-o no quarto.

Põem-te em Guarda.

Mesmo que seja no melhor quarto do mundo, na maior cama do mundo, envolto no mais sepulcral silêncio, quando se anda na estrada em concertos ninguém consegue descansar o suficiente. As razões são diversas. Começam por os dias serem longos, o trabalho duro e intenso, estarmos sempre a mudar de lugar e haver uma natural excitação nas pessoas que compõem a comitiva. Eu e os técnicos também temos horários mais rígidos, tendo sempre de viajar de manhã, fazer montagens e testes à tarde, e o concerto e desmontagens à noite. No final do dia resta sempre pouco tempo para dormir.

Acordámos para o pequeno almoço. Como é costume acordei antes do despertador apitar e tomei o pequeno almoço sozinho. É algo que estimo. É um raro momento de silêncio e introspecção necessário para meditar sobre detalhes do dia que se avizinha. Saímos quase a horas mas acabámos por nos atrasar pelo caminho para os carros irem em caravana. Na A23, em duas estações de serviço quase seguidas tentaram vender-nos iPhones piratas.

Almoçámos ao lado do Teatro da Guarda e logo após o almoço iniciámos a montagem. Os auditório têm a vantagem da realidade controlada, pode estar a chover, frio ou calor, dia ou noite, o auditório é quase um laboratório onde se pode escolher as características ambientais. Isso facilita uma grande parte. Como o jantar estava marcado para depois do concerto não havia pressas. Apenas as luzes deram problemas, a mesa tinha levado com algumas gotas de água no dia anterior e desligou-se perdendo informação da programação que demorou horas a fazer. No final tudo se resolveu embora mesmo em cima do início do concerto. Como terei dito, o auditório estava esgotado e a motivação em alta.

O concerto correu muito bem, as novas rodas nas cadeiras mostraram-se muito mais estáveis do que na versão anterior, os dois encores foram feitos com o público aplaudindo de pé e um mar de gente esperava o grupo para autógrafos.

Depois de tudo arrumado e autografado seguimos para o restaurante onde jantámos muito mais do que o recomendado para quem se foi deitar a seguir. O hotel não merece ser mencionado e as horas de sono foram curtas.

No dia seguinte chegámos a Lisboa pela hora de almoço.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Um concerto das Caldas...

O tempo passa depressa e rapidamente as prioridades mudam deixando o acessório para depois. O texto que segue abaixo foi escrito em duas alturas com quase uma semana de diferença. Talvez se note talvez não, mas por honestidade, aqui fica a informação.


Ao chegar à rent-a-car descubro que nem todos os monovolumes são iguais e que no modelo que me entregavam não era possível viajarmos 4 pessoas e o equipamento.
Felizmente foi possível esperar 20 min. pela viatura que nos acompanhou a Ílhavo e Guimarães.

Após o problema resolvido segui para a Estação do Oriente de onde partimos rumo às Caldas.

Não estava um grande dia para um concerto ao ar-livre. Pelo caminho apanhámos chuva e vento com alguma regularidade, causando a impressão que o dia poderia vir a ser duro.

Chegámos ao palco e fomos almoçar a um restaurante vizinho. Começámos as montagens logo a seguir. O palco não era tão largo como devia e era extremamente alto. Os pendões ficavam demasiado de lado e algumas alterações à iluminação tiveram de ser feitas para conseguir que alguma simetria surgisse no palco, mesmo em frente à Câmara Municipal.

Os camarins eram no centro de exposições da própria Câmara, logo à entrada do lado direito. Apesar do calor provocado pelo telhado de vidro, o local tinha condições para improvisar camarins.

Os músicos atrasaram-se um bocado, mas o pior foi mesmo a maior chuvada que decidiu cair à sua chegada. Em 5 min. o palco ficou quase todo molhado, a aparelhagem de som teve de ser coberta com plásticos e o pior cenário foi temido por todos.

A sequência de azares começou. Mal se chegou ao camarim, AB reparou que uma auto-estrada (sem portagens) de formigas deliciavam-se com as sandes mistas que repousavam num prato de plástico. Estranhamente não atacaram bolachas que estavam mesmo ao lado. Tinham ali pão, queijo e fiambre que chegava para muitos invernos.

A chuva quando resolveu acalmar lá permitiu que o teste de som se fizesse, sempre a medo e com uns sustos pelo meio, mas lá se fez. Entretanto dada a hora do concerto o ideal era jantar antes e ir ao Hotel em Óbidos. O plano que nos fora proposto para o jantar residia num buffet numa sala privada num hotel no centro das Caldas, no entanto o nosso Hotel era em Óbidos e era preciso que PM fosse buscar as t-shirts que iam ser vendidas pela primeira vez após o concerto, ficando nós limitados com os meios de transporte. A solução encontrada passou por um restaurante nas Caldas, perto do Hotel e com boas referências. Seguimos até ao Hotel, um antigo palácio senhorial mesmo em frente às muralhas do Castelo de Óbidos. O ambiente medieval do Hotel era interessante, o cenário recordou-me a série sobre os Tudor que vi há uns meses atrás, o que não é mau sinal. A única parvoíce eram as chaves dos quartos que tinham 20cm, pesavam 200kg e faziam barulho suficiente nas fechaduras para acordar todo o corredor.

No tempo de ir aos quartos antes de jantar MC chegou vinda do norte e passado meia-hora fomos todos jantar. O restaurante de nome Muralha e é recomendável tanto pela comida como pela selecção de vinhos. As sobremesas deixaram toda a mesa em polvorosa.

Como é costume nos jantares antes do concerto, o final foi apressado pela hora e inerente proximidade do início do concerto. Entretanto PM e as t-shirts já tinha chegado e corremos até ao centro das Caldas. Já a poucos metros do palco, fomos obrigados a mover as baias que vedavam o trânsito ao cidadãos e prontamente um polícia de trânsito entrou em acção. Tendo nos mandado parar, preparava-se para me tirar a carta quando percebeu que estava a fazer má figura e que poderia fazer pior se impedisse os músicos e técnicos de se aproximarem do palco. Dois minutos depois estacionámos e seguimos para os camarins debaixo de algum vento e umas pequenas gotas mais teimosas.

A preparação para o início do concerto foi razoavelmente célere e a banda da casa que tocava antes pouco ou nada se atrasou. Sendo os camarins dentro do edifício camarário, uma horda de funcionários andava livremente pelo átrio da Câmara, concentrando-se também no cimo das escadas junto às portas. Entre eles estava o presidente da Câmara e os diversos assessores, vereadores, secretários, etc. que conversavam despreocupadamente enquanto nós tentávamos que o concerto começasse. Pouco depois começou. Foi um alivio. A chuva não afastou as pessoas e não foi abundante o suficiente para prejudicar a aparelhagem de som e luz. A praça estava completamente cheia e a festa foi grande. No entanto várias coisas aconteceram fora do palco durante o concerto. A primeira foi logo após o início quando fomos buscar a mesa para venda dos discos e t-shirts. Estamos nós a pegar na mesa e dizem-nos que o senhor presidente tinha a intenção de oferecer uma prenda ao grupo no final do concerto. Concordámos com alegria e gratidão, os camarins são os locais ideais para esse tipo de generosidade, no entanto a intenção não era uma oferta discreta no camarim mas sim no palco, provavelmente com direito a caloroso discurso político pelo meio. Felizmente o ano passado tivemos três eleições neste país e dos 80 concertos que produzi, pelo menos em 2/3 esta situação surgiu. Já tenho pelo menos 10 bons argumentos para não aceitar tal proposta. Estudar marketing político e comunicação eleitoral só ajudou a fundamentar tais argumentos, mas não mudou a desilusão criada nos generosos promotores. Do ponto de vista político é uma oportunidade de discursar para milhares de pessoas, numa altura em que as pessoas estão fragilizadas pela emoção que a música cria e num momento em que as pessoas estão gratas pela oferta da autarquia. Mas infelizmente os valores artísticos são mais fortes, a submissão da arte ao poder ganhou alguns pontos desde o tempo em que os papas eram os patronos e hoje já é possível evitar este tipo de constrangimentos. A um preço, é certo já que aquele político e os seus não vão perdoar por muito tempo a desfeita que o artista por ele contratado lhe fez. Por outro lado os políticos são mais voláteis que material de escritório e felizmente ainda há gente séria para valorizar estas atitudes moral e eticamente louváveis. Mas não foi apenas isto que se passou e nem tudo são coisas más. Houve também uma associação de solidariedade social que ensaiou uma coreografia para uma das músicas. Pelo que soubemos não foi a primeira vez e houve um contacto prévio com a produção. Eram cerca de 200 pessoas que estavam bem na frente do palco e que num certo tema particularmente conhecido começaram a mexer-se conforme combinado. Obviamente foram limitadas pelas milhares de pessoas que as rodeavam, encolhendo os seus movimentos, mas ainda assim, visto do palco tinha um efeito engraçado.

Após os dois encores o concerto acabou e um fogo de artifício do demónio começou. Parte dos explosivos estavam agarrados à frente do edifício da Câmara, queimando alguma propriedade pública e assustando uma parte da população. Ali debaixo pouco mais pude fazer que abrigar-me sentado numa cadeira com outra cadeira na cabeça, não fosse o tecto do palco queimar e uma bomba incendiária acertar-me na tola. Pareceu-me uma eternidade mas os orçamentos estão mais pequenos que nunca e não terá levado mais de 15 minutos a tudo voltar ao normal.

A chuva entretanto ajudou a afastar as pessoas e pouco depois pudemos seguir para o Hotel. O dia seguinte ia ser passado na Guarda e umas centenas de quilómetros ainda nos separavam de lá.

Chegados ao Hotel um pequeno grupo de resistente ainda foi ao bar ao lado do Hotel beber uma cerveja e disparatar um bocado antes de ir dormir. Depois, empunhando a chave enorme arrastei-me até ao meu aposento, tendo acordado pessoas num raio de 50 quilómetros ao tentar abrir a minha nobre e arcaica fechadura.

terça-feira, 11 de maio de 2010

A conquista de Guimarães

Todos os 800 lugares do Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor estavam ocupados. O público demorou um pouco mais que o previsto a se sentar obrigando a atrasar o concerto cerca de 3 minutos.

As cortinas fechadas escondiam o cenário e o burburinho do público disfarçava os pequenos ruídos que no palco os preparativos de última hora provocavam. Após vários OK o contrabaixo fez soar a primeira nota e as cortinas abriram-se, acompanhadas pela primeira salva de palmas.

O concerto correu mesmo muito bem. O público adorou e após dois encores cerca de 200 pessoas ficaram à espera dos músicos para deles receberem autógrafos. Uma vitória total. A seguir jantámos no bar dos artistas junto aos camarins, apesar das horas a boa disposição imperava.

No Domingo foi dia de FNAC Guimarães. Esperava-se uma grande enchente mas havia um problema. Um engano na comunicação da FNAC apresentava duas horas distintas para o início do showcase. Na agenda FNAC dizia que começava às 16h e em todos os outros meios aparecia 17h. Assumiu-se o compromisso de começar depois das 16h de forma a tentar minimizar danos. O fórum FNAC encheu e após o showcase foi tempo de mais autógrafos.

Saímos rumo a Lisboa pelas 18h, na rádio o relato de um jogo de futebol acompanhou cerca de 45 minutos da nossa viagem. Oportunamente durante o restante tempo de viagem, o auto-rádio tocou em repeat o novo álbum de Bernardo Sassetti, "Motion". Obrigado Bernardo.

Chegámos a Lisboa no meio de buzinadelas, não por culpa da condução mas do facto do novo campeão nacional de futebol se ter consagrado. Felizmente conseguimos fugir do trânsito.

sábado, 8 de maio de 2010

Ílhavo visto de Guimarães

Como se costuma dizer, começou-se com o pé direito. Havia o nervosismo e a tensão da novidade, o entusiasmo e a leveza do começo. Claro que ninguém mostrou nada disto, agiu-se como se fosse normal e tudo seguiu como calculado, mesmo com os pequenos imprevistos do costume.

Hoje chegámos a Guimarães à hora prevista, almoçámos e começou-se a montagem do palco. Felizmente a única coisa que ficou para trás foi um tripé e bastou que eu desse um salto a Braga para arranjar substituto. Até foi bom aprender já o caminho para o Theatro Circo, pois se por um lado Braga é a cidade dos túneis, o que considero uma coisa boa, por mim todas as estradas nas cidades eram em túneis deixando a superfície para os peões e bicicletas, por outro é provavelmente a mais caótica cidade onde se pode conduzir. Lá um GPS não serve de nada, um mapa só confunde e a não ser que sejas de lá, a única forma de chegar a algum lado é através do telefone, ligando a alguém local que te indique passo a passo o que fazer. É uma cidade em que se uma Honda invertesse a marcha, podia mudar toda a maré... Felizmente há mais Suzukis.

Apesar da chuva não houve atrasos nas chegadas e o teste de som acabou a tempo. O Grande Auditório é fenomenal, umas das melhores salas que conheço. Todos os 800 lugares estarão completos, os bilhetes esgotaram ontem o que é um belíssimo sinal.

O Sol põem-se por cima das nuvens e incrivelmente há gaivotas em Guimarães. Devem ter vindo ao concerto.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A véspera

Daqui a umas horas estaremos a carregar o avião à porta de minha casa. Pré-amplificadores, rack de in-ears, pendões, cadeiras, ferros, tapa-pedaleiras, malas cheias de cabos e microfones anichar-se-ão na parte de trás do monovolume que sairá rumo a Ílhavo. Desta vez de Lisboa só parto eu e os técnicos de som pois o senhor das luzes já está no Norte e vai lá ter. A distância é suficientemente grande para não nos podermos esquecer de nada e voltar a trás. Alguma cautela terá de compensar a ramela nos olhos causada pela hora de saída, 09h30.
Esperam-nos quase 250Km de viagem em duas auto-estradas e um auditório que não conheço. O auditório está esgotado, a corrida aos convites é grande e há muita expectativa no ar.
O regresso no Domingo foi atrasado por uma showcase na FNAC de Guimarães. Ainda bem, é uma cidade que aprecio, principalmente uma tasca perto da Pousada da Juventude que se nega a fechar às 2h e serve uns petiscos interessantes pela madrugada fora. Os locais são gente engraçada, estranha mas engraçada.
O único perigo que temo no regresso é ter de atravessar Lisboa pouco depois do Benfica ser campeão. Quem diria que eu alguma vez escreveria sobre futebol...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Nem sempre se começa no princípio.

A ideia de começar este diário já tinha surgido mas não se concretizou pela mesma razão que leva a tantas ideias não deixarem de ser ideias: predisposição.

Fez há pouco um ano que trabalho com este grupo de pessoas. Foi um ano cheio de coisas boas, com novos amigos e a oportunidade de colaborar com gente de quem me orgulho, o que é sempre um prazer. No entanto um novo ciclo começou, novo álbum, nova digressão, muita coisa nova a surgir.

Como diz o título, o próximo não é o primeiro concerto deste novo disco, é antes o terceiro. Os dois concertos recentes que refiro foram ambos "especiais", tanto pela ocasião como pelos locais onde tiveram lugar. Talvez por isso souberam a ensaios com público, testes reais mas ainda não a coisa definitiva como, imagino eu, será o próximo.

Neste momento estão cerca de 30 concertos marcados, em Portugal e no estrangeiro, mas muitos mais estão por agendar. A preparação de cada concerto passa por dividir o tempo entre e-mails e telefonemas para resolver questões que vão surgindo, improvisando aqui e ali, decidindo, planeando ao detalhe cada acção futura que envolve cada concerto.

Novos elementos cénicos foram acrescentados, nova logística aplicada, novas realidades se aproximam. Novas músicas e novas letras inspiram toda a equipa para este nova fase.

Porquê um blog? Porque não apenas umas notas num bloco ou uns caracteres num qualquer editor de texto? E porque não?