terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sófia, Bulgária 11 de Junho

Fomos para Sófia de véspera por várias razões. A primeira tem a ver com a nossa preferência em voar aos feriados e dias santos, a segunda porque não há voos directos, a terceira porque se demora meio dia a lá chegar e a quarta tem a ver com as duas horas mais tarde que nos esperam após aterrar.
Chegámos ao aeroporto ao meio dia e meio e partimos às 14 e 30. Aterrámos em Munique com tempo apenas para beber uma Airbraü na cervejaria do aeroporto de Munique, fumar um cigarro e partir para Sófia. Da janela do avião consegui ver a Ístria entre as luzes de Trieste e Rieka e as ilhas Dálmatas que tanto me fizeram bem.

Chegámos depois das onze da noite locais, seguimos para o Hotel Matropolitan bastante próximo do aeroporto onde ceámos da gastronomia local e fomos dormir. Poucas horas depois um directo para o telejornal da manhã punha a malta de pé às oito, portanto seis em Portugal. Como o meu telefone me pregou uma partida fui o último a descer e tive um croissant de pequeno almoço graças à solidariedade do meu amigo compositor.
Acompanhados pela tradutora Valentina (uma das raras pessoas Búlgaras que fala Português) e pela produtora Katia, seguimos para os estúdio da Televisão Búlgara a toda a velocidade em dois Opel novíssimos e potentes. Lembrei-me de Zagreb e de Budapeste e das suas avenidas largas e praças arejadas. 

Os estúdios ostentavam modestamente alguma história quase toda representada como adereços no restaurante da Televisão. Entre motas antigas a garrafas de vinho com ar centenário, juntava-se um cenário para um filme do Indiana Jones naquele restaurante.
O estúdio onde se filmava o noticiário era moderno e partilhava o espaço, apenas dividido por uma longa parede de pladur, com o cenário de uma sala de estar de uma telenovela. Na porta larga de entrada um cartaz pedia para não se fumar, filmar,  falar ao telefone, comer gelados ou usar armas. Nos corredores cruzei-me com um par de maquilhadoras que não tinham tão mau ar como o cartaz.

No regresso ao hotel fomos visitar a catedral do Patriarcado Búlgaro e passeámos por um mercado de rua cheio de antiguidades e segundo nos contaram famosas falsificações. Estranhámos a quantidade de objectos nazis. Antes de entrar para os carros tiraram-se várias fotografias de novo em frente à Catedral e seguimos para o Hotel quase na hora de almoço.

Depois da refeição seguimos para a Bulgaria Hall onde o concerto ia ter lugar pelas 19h30. É uma sala com balcão para cerca de 800 pessoas construída ao estilo soviético onde ainda se podem encontrar dezenas de caixas de contrabaixo debaixo do vão de escadas. Atrás do cortina do palco havia uma bancada para a orquestra. O concerto ia ser gravado para passar quase na íntegra na televisão em Setembro. A equipa da televisão quase não contactou connosco, apenas colocou as suas câmaras em gruas e tripés e coordenou tudo através de um carro de exteriores. A única questão em conflito passava pela iluminação (ou a falta dela) necessária para as filmagens. Uma luz branca desconfortável acompanhou quase todo o concerto. Acho que conseguimos um meio termo vantajoso para ambas as partes. O público aplaudiu imenso, pediu encores de pé e comprou todos os 50 CD’s que levámos para vender. Todos não, porque um foi oferecido à tradutora Valentina e ao seu irmão cantor Mexicano.

Após o concerto fomos jantar com o representante da embaixada portuguesa a um restaurante muito bom. A comida e o vinho eram excelentes. Seguimos então para o Hotel onde dormimos apenas um bocadito pois a saída do Hotel era às 6 da manhã. Felizmente o Metropolitan é perto do avião e chegámos depressa às partidas do Aeroporto de Sófia.

Como os voos do regresso tinham sido comprados pelo promotor búlgaro, tivemos um contratempo em Madrid quando eles trocaram o nome do técnico de luz obrigando-nos a comprar no momento outro bilhete.
Chegámos inteiros a Lisboa, era véspera de Santo António e pouco depois de pousar as malas segui para a Rua da Esperança na Madragoa para assar sardinhas até cair para o lado.

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