sexta-feira, 21 de maio de 2010

Põem-te em Guarda.

Mesmo que seja no melhor quarto do mundo, na maior cama do mundo, envolto no mais sepulcral silêncio, quando se anda na estrada em concertos ninguém consegue descansar o suficiente. As razões são diversas. Começam por os dias serem longos, o trabalho duro e intenso, estarmos sempre a mudar de lugar e haver uma natural excitação nas pessoas que compõem a comitiva. Eu e os técnicos também temos horários mais rígidos, tendo sempre de viajar de manhã, fazer montagens e testes à tarde, e o concerto e desmontagens à noite. No final do dia resta sempre pouco tempo para dormir.

Acordámos para o pequeno almoço. Como é costume acordei antes do despertador apitar e tomei o pequeno almoço sozinho. É algo que estimo. É um raro momento de silêncio e introspecção necessário para meditar sobre detalhes do dia que se avizinha. Saímos quase a horas mas acabámos por nos atrasar pelo caminho para os carros irem em caravana. Na A23, em duas estações de serviço quase seguidas tentaram vender-nos iPhones piratas.

Almoçámos ao lado do Teatro da Guarda e logo após o almoço iniciámos a montagem. Os auditório têm a vantagem da realidade controlada, pode estar a chover, frio ou calor, dia ou noite, o auditório é quase um laboratório onde se pode escolher as características ambientais. Isso facilita uma grande parte. Como o jantar estava marcado para depois do concerto não havia pressas. Apenas as luzes deram problemas, a mesa tinha levado com algumas gotas de água no dia anterior e desligou-se perdendo informação da programação que demorou horas a fazer. No final tudo se resolveu embora mesmo em cima do início do concerto. Como terei dito, o auditório estava esgotado e a motivação em alta.

O concerto correu muito bem, as novas rodas nas cadeiras mostraram-se muito mais estáveis do que na versão anterior, os dois encores foram feitos com o público aplaudindo de pé e um mar de gente esperava o grupo para autógrafos.

Depois de tudo arrumado e autografado seguimos para o restaurante onde jantámos muito mais do que o recomendado para quem se foi deitar a seguir. O hotel não merece ser mencionado e as horas de sono foram curtas.

No dia seguinte chegámos a Lisboa pela hora de almoço.

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