Toda a A4 é uma anedota, uma fábrica de acidentes e uma dor de cabeça para os camiões e não só. São subidas e descidas ao sabor dos declives da montanha numa zona conhecida por Serra do Marão e depois por Douro Vinhateiro. Há uns pequenos túneis que só existem para aparecerem nas estatísticas e o resto são inclinações de 7% e curvas apertadas. Depois de horas atrás de uma camioneta cheia de qualquer coisa pesada, pesquisei no site da Brisa por A4 e encontrei estas belas mensagens:
A4, Manutenção na via, km 58.1, sentido Porto-Amarante.
A4, Manutenção na via, km 22.3, sentido Porto-Amarante, com fim previsto para as 06:00h.
A4, Manutenção na via, km 22.0, sentido Amarante-Porto, com fim previsto para as 06:00h.
Estes tipos têm mesmo graça. Nem sei se não deva enviar uma carta de agradecimento. Enfim, chegámos lá a horas de ir a um bom restaurante, recomendado por um amigo de SM. Este sim, merece ser mencionado, chama-se Terra de Montanha e mora na rua 31 de Janeiro, mesmo no centro de Vila Real. Os convivas podem escolher entre comer dentro de tonéis de carvalho inteiros ou parciais. Uma boa ideia embora gente mais anafada se possa sentir apertada. A comida estava deliciosa e o menu vegetariano surpreendeu pela positiva. Eu não me queixei nada da vitela e vi um naco com muito bom aspecto. Quando lá voltar já não preciso de olhar para o menu.
Acabado o almoço seguimos para o teatro onde começámos quase de imediato as montagens. O auditório além de muito bonito tem a vantagem de ter duas frentes, uma interior e uma outra exterior, programada de Junho a Setembro. Setecentos lugares, uma boa teia de luz e um sistema de som com qualidade demonstram que ali está uma obra bem feita e com um impacto muito positivo na população.
Tudo correu bem no teste de som e sendo o concerto às 22h00 fomos jantar a um antigo solar convertido em Estalagem. Não quero que este diário pareça o guia Michelin, mas comi um dos melhores bacalhaus da minha vida. o nome é Estalagem Quinta do Paço em Arroios, logo depois da Quinta de Mateus. Na verdade era apenas um bacalhau com natas muito bem feito e completamente coberto com uma grossa camada de queijo bem salgado e derretido. O sonho do colesterol.
Cheios de pressa regressámos ao Teatro e tudo se preparou para o abrir da cortina. Mais um concerto esgotado (há alturas em que é bom ser repetitivo) e um público completamente conquistado. A cadeira voltou a fazer o percurso à velocidade certa e na direcção pretendida.
Após as desmontagens e autógrafos, um pouco mais rápidos graças a ser quarta-feira e as pessoas irem trabalhar no dia seguinte, seguimos para o Hotel Miracorgo, um hotel com uma vista impressionante sobre o desfiladeiro do rio Corgo mas um mau gosto musical impressionante. A música além de muito alta é composta por versões midi de temas impossíveis de aturar. Já nem a Rádio Renascença tem coragem de repetir Celine Dion quanto mais em versão panpipe midi. O pequeno almoço é sempre apressado graças a este factor. Para a próxima vez peço-o no quarto.
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