terça-feira, 25 de maio de 2010

Coimbra e as canções.

Felizmente sou a única pessoa que pode falar mal de Coimbra. Tendo este raro privilégio devo usufrui-lo o melhor que sei e posso. Pelo menos esforço-me. Coimbra tem imensas coisas boas. Por exemplo a Casa de Pasto Zé Neto onde fomos almoçar, onde se come o melhor arroz de legumes do mundo, onde tudo sabe tão bem que é uma frustração tentar imitar  aquelas receitas regionais. É uma cidade que como poucas consegue misturar bem a simplicidade do campo e a sofisticação da cidade letrada. Coimbra é também muito agradável à vista, a cidade encavalitada em si mesma, com um largo rio, as serras a Este e os longos campos de cereal e arroz que acabam no ocenao a menos de 40Km, enfim coisas que poucas cidades se podem gabar. Mas talvez o problema resida aqui, Coimbra pode-se gabar de uma série de coisas e quando dá por si já se perdeu em megalomanias e falsas grandezas , atitudes de mau tom que acabam por lhe destruir a boa reputação. 

A meu ver é inconcebível que a auto-denominada terceira cidade do país, ou a cidade do conhecimento, ou a lusa-atenas, tenha uma oferta cultural mais fraca que cidades muito menores e mais afastadas do eixo de desenvolvimento do litoral. É inadmissível que uma cidade tenha sido capital da cultura em 2003 e não tenha herdado uma moderna sala de espectáculos permanente. É uma vergonha a forma como o Teatro Académico Gil Vicente (TAGV) é menosprezado tanto pela Universidade como pela Câmara Municipal, como se gastam fundos numa Casa Municipal da Cultura que serve apenas para exposições e conferências de pequeno formato. É triste que se tenha gasto dinheiro no museu do carro eléctrico para durante a capital da cultura se fazerem concertos e depois tudo se acabe esquecido. Neste momento fala-se na construção de um novo auditório em Santa Clara, aproveitando um convento que está em ruínas, no entanto todos sabem que não há dinheiro nem vontade política. Afinal se não há sensibilidade para reabilitar o teatro da cidade, como é possível haver energia e financiamento para fazer algo quase de raiz. 

Não deverei expor aqui os enormes problemas que assolam o Teatro Académico Gil Vicente (TAGV), mas não consigo deixar de louvar quem lá trabalha e aguenta as agruras de uma classe dirigente completamente alheia às necessidades de uma estrutura permanente. A verdade é que as omeletes vão aparecendo feitas e ninguém questiona de onde vieram os ovos. A paz podre implanta-se a o dia a dia vai acontecendo, forçado e sem prazer. 
Passando à narração do dia, ainda antes do almoço os nossos técnicos foram para o TAGV ajudar nas desmontagens do espectáculo anterior. O som e luz foram alugados externamente já que o equipamento que lá reside tem mais de 20 anos. 
Após o almoço no Zé Neto, situado na Rua das Azeiteiras, dividimos equipas, os músicos foram dar entrevistas, os produtores tratar do catering e das compras e os técnicos tratar do som e luz. Conseguimos ir jantar pelas 19h30, mesmo ao lado do teatro. A menos 100m no Jardim da Sereia ouvia-se o teste de som do concerto que ia ter lugar mais ou menos à mesma hora. Tal facto não impediu que o TAGV esgotasse.

O concerto correu mesmo bem, o público acabou de pé a dançar e no final a fila para os autógrafos ocupava quase todo o foyer do teatro. A venda de t-shirts bateu o recorde e acabaram-se com todos os CD's existentes. Após o concerto ainda houve quem fosse ver o concerto na Sereia, outros foram para o Hotel e eu pude ir dormir a casa, o tal sítio onde se consegue descansar.

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